Um sistema de navegação confiável deve empregar diversos meios com determinadas características: fontes de energia independentes; dados recebidos de origens diferentes; operação inteiramente independente entre si; e devem permanecer operantes (não deixar inativo um deles até que seja necessário entrar em operação).

visite www.garmin.com

A combinação geralmente aceita e adotada para a navegação de altura (isto é, em alto mar) é a astronômica/eletrônica: empregando o GPS e o sextante, basicamente.

A astronômica com o auxílio do computador (palmtop, laptop, notebook ou uma calculadora programável), se constitui numa alternativa cômoda, econômica e eficiente que pode ser mantida no barco como processo principal ou empregada como processo alternativo ou de reserva. E, nunca é demais lembrar, estar sempre em condições de efetuar a navegação por meio de tábua e almanaque.

E o astro mais utilizado, como não poderia deixar de ser, é o Sol; raramente empreguei estrelas e planetas para a determinação da posição. Eles são mais observados como pontos de referência, ora dando uma idéia da latitude (quando passam na ponta do mastro, como antigamente se fazia), ora como mera referência para a orientação ou o rumo.

Precisão

Com um sextante bem ajustado, um observador treinado obterá a posição com erro inferior a uma milha, na maioria das vezes, num veleiro em mar relativamente calmo. Com auxílio do computador, poderá empregar métodos que melhorem a precisão, como o da série de visadas, etc.

Determinar as melhores horas de visada, aquelas que forneçam retas perpendiculares (ortogonais). Isto só é feito para o primeiro dia; depois, periodicamente, à medida que a declinação e latitude vão se afastando dos valores inicialmente adotados para este cálculo. É dado um programa para calcular estas melhores horas.

Após as visadas, introduzir os dados no computador, que fornecerá as coordenadas da posição do barco. São obtidos também os elementos para o traçado das retas, para quem assim o desejar.

Como uma compensação pela falta de uma estrela polar sul, de grandeza suficiente para a observação à olho nu, parece que Deus colocou as estrelas mais brilhantes no nosso hemisfério.

Para efeitos de navegação, no HS, basta identificar algumas poucas constelações:

Cruzeiro do Sul; Orion; Escorpião; Pegaso; Gêmeos.

Cada uma destas oferece as estrelas e os alinhamentos necessários para a identificação do céu. As Três Marias, cinturão do Orion, indicam para um lado (SE) Sirius, do Cão Maior, a estrela mais brilhante do céu noturno; para o outro lado (N) e a igual distância, Aldebaran, do Touro. Ao S de Sirius, Canopus se destaca. Orion fornece mais: Rigel (vértice SW do quadrilátero que caracteriza a constelação), Bellatrix (vértice NW) e Betelgeuse (vértice NE). Procyon, no alinhamento de Aldebaran e Betelgeuse.

A nossa constelação, Crux (o Cruzeiro do Sul), além de Acrux e Gacrux, indentifica Hadar e Rigel Kent (do Centauro), além de outras.

E assim por diante, dividindo o céu em partes e identificando as estrelas mais brilhantes, terminaremos por conhecer as principais. Mas, quando faltam os alinhamentos de identificação, poderemos recorrer ao cálculo para denominar a estrela. E o computador se encarregará do trabalho.

As estrelas são verdadeiras balizas, mostrando a latitude. Indo, por exemplo, do Rio de Janeiro à Noronha, navegando ao largo, quando Sirius estiver na ponta do mastro (na sua passagem meridiana), estaremos na latitude dos Abrolhos, ou muito próximo dela. Spica (da Virgem), indicará quando estivermos entre Aracajú e Maceió. Rigel, próximos à latitude de Recife. Haverá sempre uma estrela que passe na ponta do mastro no decorrer do cruzeiro: nela deveremos estar de olho.

O Sextante

Após sua invenção, em 1730, levou quase trinta anos para ter seu uso generalizado entre os capitães de navio.

visite www.imagebank.com

Juntamente com o cronômetro e o computador, ele permite determinar a posição do barco com grande facilidade, rapidez e aceitável precisão.

O cronômetro pode ser um mero relógio de quartzo, comum, de pulso, que tenha a função cronômetro; o lap é uma qualidade interessante e deve ser cogitada na escolha do relógio (quase todos a possuem).

Um sextante de boa qualidade terá um ei (erro instrumental) de no máximo 2' (mas podemos aceitar um pouco mais).

Com cuidados periódicos, mesmo com os sextantes de plástico, podemos obter boas visadas, bastando que o mantenhamos bem ajustado, o que pode ser conseguido controlando-se o erro instrumental (processo ei, SD, apresentado em programa próprio).

O segredo da boa visada está no cuidado com que ela é feita: caprichar, portanto, é essencial.

O sextante de plástico, utilizado à princípio como reserva, ao longo do percurso sempre assume a função principal, face às vantagens que apresenta.

O emprego do sextante é agradável e fornece grande confiança a quem o utiliza; é de fácil manuseio, devido à sua simplicidade.

Por uma questão de bom senso, devemos ter sempre no barco uma tábua de navegação simples, cômoda e precisa. A Radler preenche estes requisitos. É a DN-4-2, publicada pela DHN. Elaborada pelo Comandante Radler de Aquino, da nossa Marinha, é muito útil e cômoda (é constituída de apenas um volume).

Outras tábuas são disponíveis, mas não há vantagem em adotá-las. Apenas a do Almirante Davis apresenta um detalhe prático muito interessante: você visa as estrelas e determina a posição do barco sem necessidade de identificá-las (apenas se desejar saber o nome das estrelas visadas, poderá ir ao final da tábua e identificá-las).

O computador ou a calculadora nunca apresentaram defeito nos percursos que realizei. O GPS, quando a bateria está um pouco descarregada (abaixo de 12 volts), pode oferecer posições erradas. Isto pode acontecer também com mudanças fortuitas do setup, por causas não identificadas (transitórios, indução, etc.). Deve-se tomar precauções para evitar interferências do rádio com o GPS. Além disso, o americano pode desligar o sistema, o que já aconteceu. É bom, portanto, manter a auto-suficiência também e principalmente na navegação.

 
 
Clube da Vela © 2009 - Todos os direitos reservados